Transporte internacional de cargas busca mais eficiência na ligação Brasil–Paraguai
09 de setembro, 2026
Na região de Foz do Iguaçu, Sindifoz defende avanços na operação da Ponte da Integração. Caminhões carregados continuam realizando a travessia pela Ponte Internacional da Amizade. Ampliação operação depende, principal mente, da conclusão de obras de acesso no lado paraguaio
O transporte rodoviário internacional de cargas ocupa uma posição estratégica na economia brasileira. É pelas rodovias que uma parcela sig nificativa das mercadorias destinadas aos países vizinhos chega às fronteiras e também por onde produtos importados ingressam no território nacional, movimentando cadeias produtivas, empresas, empregos e serviços. Nesse cenário, a região de Foz do Iguaçu assume uma importância singular. Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a cida de é um dos principais pontos de conexão terres tre do país com os mercados sul-americanos.
É nesse ambiente de intensa circulação de pessoas e mercadorias que atua também o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviárias de Cargas Nacionais e Internacionais de Foz do Iguaçu e Região (Sindifoz), entidade que representa o segmento e acompanha de perto as demandas e os desafios enfrentados pelas empresas e pelos profissionais que atuam nas operações internacionais e é filiada ao Sistema FETRANSPAR.
A entidade é a única representante empresarial do transporte rodoviário cargas no Paraná com atuação simultânea nas três fronteiras, o que lhe confere uma posição estratégica na discussão de medidas que envolvem logística, fiscalização, infraestrutura e fluidez do comércio entre os países. Uma das questões mais recentes acompanhadas pelo sindicato envolve a utilização da Ponte da Integração Brasil–Paraguai.
O Ato Declaratório Executivo SRRF09 nº 19 trouxe uma mudança para a circulação de veículos de carga vazios, permitindo que caminhões com peso superior a 3,5 toneladas, desde que vazios, utilizem a nova ponte. Entretanto, segundo o Sindifoz, a medida ainda estabelece uma diferença que mantém parte dos veículos de maior porte submetida à travessia em período noturno. Atualmente, caminhões menores e vazios podem utilizar a Ponte da Integração durante o dia.
Para os veículos maiores, a passagem continua restrita ao período noturno, a partir das 20 horas. Na avaliação do sindicato, essa distinção reduz o potencial de utilização da nova estrutura e mantém um problema operacional para os transportadores “Muitos motoristas chegam à fronteira por volta das 10 horas da manhã, ou até antes, e precisam permanecer horas aguardando o início da operação noturna. Essa espera ocorre em filas e acostamentos, sem acesso adequado a banhei ro, água, alimentação, segurança ou qualquer estrutura mínima de apoio”, destaca o presidente do Sindifoz, Celso Gallegario, que é também vice--presidente do Sistema FETRANSPAR.
Mais eficiência para a operação
A principal reivindicação da entidade é que todos os caminhões vazios, independentemente do porte, possam atravessar a Ponte da Integração durante o período diurno, das 7h às 19h. Para Gallegario, se a condição para utilização da estrutura é o veículo estar vazio, não deveria haver diferenciação relacionada ao tamanho do conjunto. A ampliação do horário permitiria distribuir melhor o fluxo entre as duas pontes, reduzir o tempo de espera e proporcionar maior previsibilidade às operações de transporte internacional.
Os caminhões carregados continuam realizando a travessia pela Ponte Internacional da Amizade. A ampliação dessa operação depende, principal mente, da conclusão de obras de acesso no lado paraguaio. Entre elas está o Corredor Metropolitano Del Este, conjunto de obras que inclui um anel viário de mais de 30 quilômetros e estruturas como a nova ponte sobre o Rio Monday, em Presidente Franco.
A previsão é de conclusão dessas intervenções no início de 2027. Até que a infraestrutura necessária esteja pronta, a liberação integral do fluxo de veícu los de carga pela Ponte da Integração permanece condicionada às próximas etapas definidas entre os dois países. O cronograma é avaliado mensalmente pela Comissão Mista Brasil–Paraguai, considerando o andamento das obras e a evolução das condições necessárias para ampliar a operação. Duas pontes, um sistema logístico.
Para o Sindifoz, a plena utilização da Ponte da Integração poderá representar uma mudança importante na logística da fronteira. A nova estrutura tem potencial para distribuir de maneira mais equilibrada o fluxo de veículos, especialmente de cargas e ônibus, reduzindo a concentração atualmente existente na Ponte Internacional da Amizade. Entretanto, para que esse potencial seja efetiva mente alcançado, será necessário avançar de forma gradual na ampliação dos horários e das categorias de veículos autorizados a realizar a travessia. A entidade também defende maior integração entre os órgãos brasileiros e paraguaios respon sáveis pelo controle aduaneiro e migratório, com procedimentos e horários alinhados para evitar que diferenças operacionais se transformem em novos pontos de retenção.
Uma fronteira mais eficiente
Para Gallegario, o desafio, portanto, vai além da abertura de uma nova ponte. “Trata-se de construir uma operação de fronteira capaz de acompanhar a dimensão do fluxo comercial existente entre Brasil e Paraguai e, ao mesmo tempo, oferecer condições adequadas aos profissionais que fazem o transporte acontecer”, avalia o presidente.
Ainda de acordo com ele, para o setor empresarial, reduzir o tempo de espera significa melhorar a produtividade dos veículos, aumentar a previsi bilidade das viagens, reduzir custos operacionais e dar mais eficiência às cadeias logísticas que dependem do transporte internacional. “A ampliação do uso da Ponte da Integração é um passo importante nesse processo. A defesa da circulação diurna de todos os caminhões vazios, sem distinção de porte, representa uma medida de curto prazo que pode contribuir para desafogar a fronteira enquanto as obras estruturais avançam no lado paraguaio”, defende Gallegario.
Texto e Foto – Informativo FETRANSPAR
Missão: Fortalecer o setor de transporte de cargas rodoviário paranaense, representando os empresários independentemente do cenário – político, econômico ou social - que se apresente.
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