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Foz do Iguaçu debate reconhecimento como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas

23 de setembro, 2026

Audiência pública na Câmara Municipal reúne setor produtivo e autoridades para discutir projeto que busca reconhecer oficialmente a vocação logística da cidade

Foz do Iguaçu deu mais um passo na discussão para o reconhecimento do município como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas, nesta terça-feira (22). Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal debateu a proposta e a importância estratégica da cidade para o transporte, a logística, o comércio exterior e a integração entre os países do Mercosul.

O debate atende ao Requerimento nº 710/2026, de autoria do vereador Paulo Debrito, e reúne representantes do poder público e do setor de transporte para discutir os impactos e as oportunidades decorrentes do reconhecimento nacional da atividade que movimenta diariamente a economia da região.

Representando o Sistema FETRANSPAR, participou da audiência o vice-presidente da Federação e presidente do SINDIFOZ, Celso Gallegario, que acompanha diretamente as pautas relacionadas ao transporte internacional na região da Tríplice Fronteira.

Para Gallegario, Foz do Iguaçu possui uma vocação logística que durante muitos anos não recebeu a mesma atenção destinada a outras atividades econômicas do município. Segundo ele, a pandemia contribuiu para ampliar a percepção da sociedade e das autoridades sobre a importância do setor.

“Foz do Iguaçu tem vocação logística e turística, e sempre a vocação logística e o transporte ficaram por muito tempo adormecidos. Acredito que o que despertou foi a pandemia. A sociedade como um todo e as autoridades locais observaram o que o setor de logística fez para a cidade, a contribuição que o setor logístico trouxe para a cidade. Aí passamos a ter um pouco mais de reconhecimento e visibilidade”, destacou.

Cadeia econômica 

Na avaliação de Gallegario, reconhecer Foz do Iguaçu como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas significa também reconhecer a dimensão econômica de uma atividade que ultrapassa os limites das empresas transportadoras.

Gallegario ressalta que o setor beneficia diretamente mais de 30 cadeias da economia, envolvendo desde postos de combustíveis e oficinas até serviços, comércio, construção civil e atividades relacionadas à permanência dos motoristas na cidade.

“Não é apenas a indústria que produz e exporta, não é apenas o que se importa de produtos, de material de uso e consumo, mas ele beneficia toda uma cadeia”, afirmou.

Entre os exemplos citados estão frentistas, borracheiros, eletricistas, mecânicos, taxistas, mototaxistas e trabalhadores da construção civil. O aumento da circulação de veículos e profissionais também gera demanda por moradia, alimentação, serviços e comércio.

Para o vice-presidente da FETRANSPAR, esse efeito multiplicador demonstra que o transporte internacional deve ser compreendido como uma atividade estratégica para o desenvolvimento de Foz do Iguaçu.

Porto Seco e novas rotas 

Outro ponto destacado durante a audiência foi a implantação do novo Porto Seco, considerada uma oportunidade para ampliar a capacidade logística da região e gerar novos efeitos econômicos para o município.

A perspectiva também está relacionada à futura Rota Bioceânica, que deverá conectar o Atlântico ao Pacífico e ampliar as possibilidades de circulação de cargas entre os países sul-americanos.

“Além da implantação do novo Porto Seco, nós teremos, proximamente, a Bioceânica, uma rota que liga dois oceanos, e com isso Foz do Iguaçu também será beneficiada. Mas, para isso, nós precisamos ter muita integração. Eu acho que a palavra de ordem do momento chama-se integração”, afirmou Gallegario.

Na avaliação do dirigente, infraestrutura, por si só, não é suficiente. É necessário que os diferentes órgãos e países envolvidos na operação de fronteira atuem de forma coordenada para reduzir o tempo de permanência dos veículos e aumentar a eficiência do transporte internacional.

Integração é desafio 

Gallegario chamou atenção para o impacto que os períodos de espera nas fronteiras representam para as empresas de transporte. “Não adianta a gente ter uma bela ponte, não adianta ter uma gigante aduana, se nós não temos uma integração adequada que consiga reduzir o nosso transit time de fronteira”, afirmou.

Segundo ele, cerca de 45% do tempo de uma frota que trabalha no transporte internacional pode ser consumido em períodos de inatividade, quando o veículo permanece parado e deixa de produzir. “Esse tema de integração é uma pauta que a gente precisa trabalhar, discutir com os colegas e com as autoridades, para que a gente possa reduzir esse tempo e fazer com que o nosso ativo, que custa caro hoje, consiga gerar uma receita mais adequada”, explicou.

A busca por maior fluidez nas fronteiras é, portanto, apontada como uma das principais agendas para o fortalecimento do transporte internacional e para que os investimentos realizados em infraestrutura produzam resultados ainda mais efetivos.

Mudanças na operação 

Durante sua participação, Gallegario também destacou mudanças recentes na operação da fronteira. Segundo ele, a autorização para a passagem de caminhões de pequeno porte vazios pela Ponte da Integração Brasil–Paraguai contribuiu para retirar aproximadamente 9 mil caminhões da Ponte da Amizade nos últimos 30 dias, conforme os números apresentados durante a audiência.

Para o dirigente, a medida beneficia não apenas o transporte internacional, mas também o comércio e os usuários que utilizam a Ponte da Amizade. “Isso tirou 9 mil caminhões da Ponte da Amizade nos últimos 30 dias. Então, já foi uma ação que contribui para o comércio, para os usuários da Ponte da Amizade. Isso certamente favorece o comércio local”, afirmou.

Embora considere que ainda existam pontos a serem aprimorados na operação da Ponte da Integração, Gallegario avaliou que as mudanças já produzem efeitos perceptíveis para quem circula pela região.
“Hoje, quem utiliza a Ponte da Amizade durante o dia sabe da redução de tempo que aconteceu nessas mudanças para a travessia da nossa aduana. Os números não mentem”, ressaltou.

Reconhecimento nacional

A proposta de reconhecimento de Foz do Iguaçu como Capital Nacional do Transporte Internacional Rodoviário de Cargas integra uma mobilização que também vem sendo conduzida em âmbito federal. Gallegario citou durante a audiência sua atuação em Brasília na defesa do Projeto de Lei nº 3.710, relacionado ao reconhecimento da cidade.

Para o setor, a iniciativa representa a possibilidade de dar maior visibilidade nacional à importância de Foz do Iguaçu para o transporte internacional e, ao mesmo tempo, fortalecer a discussão sobre infraestrutura, integração fronteiriça e condições para o desenvolvimento da atividade.

Além da logística, o reconhecimento também poderá reforçar a relação entre transporte e turismo, duas das principais vocações econômicas do município. Gallegario avalia que a realização de novos eventos e o aumento da movimentação de pessoas e cargas podem gerar efeitos positivos para diferentes segmentos da economia local.

“Acho que a cidade precisa romper esse patamar que está, evoluir um pouco mais em outros segmentos. Nós estamos um pouco estagnados nos últimos anos, e essa é uma observação pessoal minha. Tenho debatido isso dentro do setor. Eu acho que nós podemos fazer mais”, afirmou.

Ao final de sua participação, Gallegario reforçou a importância da união entre os diferentes setores e autoridades para que Foz do Iguaçu avance em sua agenda logística. “Aqui nós iniciamos o primeiro passo de uma longa jornada, que trará muitos benefícios para nós”, afirmou. Para ele, o momento exige união e integração para que os investimentos, projetos e oportunidades sejam transformados em desenvolvimento para o município e para toda a região de fronteira.

“A gente possa construir uma Foz do Iguaçu mais unida setorialmente, politicamente, e que a gente possa todos somar”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa FETRANSPAR Foto: Câmara Municipal de Foz do Iguaçu/Christian Rizzi

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