G1 - 'Prévia' do PIB do Banco Central indica que economia brasileira recuou 0,68% no 1º trimestre
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G1 - 'Prévia' do PIB do Banco Central indica que economia brasileira recuou 0,68% no 1º trimestre

15 de maio, 2019

A economia brasileira registrou retração de 0,68% no primeiro trimestre de 2019, indica o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira (15).

O recuo de 0,68% entre janeiro e março deste ano foi verificado na comparação com o quarto trimestre de 2018. O número foi calculado após ajuste sazonal, uma "compensação" para comparar períodos diferentes de um ano.

Quando a comparação é feita com o resultado do primeiro trimestre de 2018, porém, o IBC-Br do primeiro trimestre de 2019 indica alta de 0,23% (sem ajuste sazonal). Em doze meses até março deste ano, também sem ajuste sazonal, os números do BC indicam uma expansão de 1,05%.

O IBC-BR é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais do PIB do primeiro trimestre serão divulgados no dia 30 de maio.

A retração registrada no primeiro trimestre deste ano, se confirmada, será a primeira desde o quarto trimestre de 2016, quando a economia brasileira registrou um tombo de 0,6%.

IBC-BR X PIB

O cálculo do IBC-Br é um pouco diferente do usado no PIB. O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais divulgados pelo IBGE.

Além disso, o IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. O crescimento ou desaceleração da economia influenciam na inflação, que o Banco Central busca controlar por meio da taxa Selic.

BC e Paulo Guedes

O próprio Banco Central já havia alertado, nesta terça-feira (14), por meio da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que "indicadores disponíveis sugerem probabilidade relevante de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano.

Também nesta terça-feira, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a economia do país está no "fundo do poço" e, na avaliação do ministro, está "nas mãos" do Congresso tirar o Brasil dessa situação, com a aprovação de reformas propostas pelo governo.

"Então, não adianta achar que nós vamos crescer por fora, que vamos crescer 3%. Não é a nossa realidade. A nossa realidade é o seguinte: estamos lá no fundo. Agora, está nas mãos da Casa [Congresso Nacional] nos tirar do fundo do poço, com esse equacionamento fiscal [com a aprovação da reforma da Previdência, entre outras medidas]", acrescentou ele, na ocasião.

Em linha com as estimativas do mercado financeiro, que prevê uma expansão de 1,45% para a economia neste ano, o ministro também indicou que vai revisar de 2,2% para 1,5% a previsão oficial do governo de alta do PIB em 2019. Com um crescimento menor, a equipe econômica tem alertado que será necessário um novo bloqueio de gastos no orçamento de 2019.

O que dizem os analistas

Alguns economistas do mercado financeiro também alertam que os dados sobre o desempenho da indústria, do comércio e dos serviços nos primeiros três meses do ano apontam que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre pode vir negativo.

Veja abaixo o resultado dos principais componentes do PIB:

O setor de serviços teve queda nos três primeiros meses de 2019;

A indústria caiu em janeiro e teve leve alta em fevereiro, até registrar no mês seguinte o pior resultado em seis meses;

As vendas do varejo subiram no acumulado dos três meses, mas sem avanço expressivo.

Os analistas ouvidos pelo G1 atribuem o resultado fraco da economia no começo de 2019 a uma frustração das expectativas por reformas econômicas – o que atrasa decisões de investimentos por parte dos empresários e de consumo para os investidores.

Fonte: G1 Foto: Divulgação

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