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Coalizão de Transportes estrutura agenda até 2030 e define prioridades para descarbonização do setor
28 de outubro, 2026
Agenda concentra cerca de 85% do potencial de redução de emissões identificadas pela iniciativa até 2050 e reúne mais de 100 indicadores para acompanhar a implementação
A Coalizão para a Descarbonização dos Transportes, movimento multissetorial que reúne mais de 120 associações, empresas, poder público e academia, estruturou a agenda de implementação até 2030 e definiu 15 alavancas prioritárias para reduzir as emissões do setor. Com responsabilidades pactuadas entre os participantes, o foco será atuar sobre os obstáculos à adoção das soluções, articular as condições para viabilizá-las e dar transparência aos resultados.
A nova etapa da iniciativa foi apresentada nesta segunda-feira (26) ao presidente da COP30, o embaixador André Correa do Lago. As organizações participantes da Coalizão também definiram cerca de 40 habilitadores (como são chamadas as condições necessárias para colocar as soluções em prática) e mais de 100 indicadores para monitorar seu avanço.
Liderada pelo Sistema Transporte, CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), Motiva e Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper, com apoio técnico do Boston Consulting Group (BCG), a Coalizão para Descarbonização dos Transportes abrange seis frentes: transporte rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário, mobilidade urbana e infraestrutura e transversalidade.
Para Vinicius Ladeira, diretor adjunto nacional do SEST SENAT e líder do projeto Transporte na COP31, o Brasil tem oportunidades importantes para avançar na descarbonização considerando a diversidade de sua matriz de transporte, o potencial dos biocombustíveis e a possibilidade de ampliar o uso de modais mais eficientes.
"É fundamental integrar planejamento, investimentos e inovação, criando condições para reduzir as emissões sem comprometer a eficiência logística e a competitividade do setor. Felizmente, já temos observado uma atuação das empresas do setor, com medidas concretas, metas, indicadores e responsabilidades bem definidos”, explica.
Alavancas para acelerar a descarbonização nos transportes brasileiros
As 15 alavancas prioritárias, selecionadas entre as 90 iniciativas mapeadas no plano de ação, combinam mudanças na matriz de transportes, adoção de tecnologias e combustíveis de menor emissão e ganhos de eficiência operacional. As projeções da Coalizão dimensionam essa transformação: até 2050, a participação de ferrovias e hidrovias no transporte de cargas poderá passar de cerca de 30% para 55%; os veículos leves eletrificados poderão superar metade da frota; e o consumo anual de biocombustíveis poderá alcançar, aproximadamente, 55 bilhões de litros.
A ampliação da participação ferroviária e hidroviária depende de investimentos na expansão da infraestrutura e na integração entre os diferentes modos de transporte. Essa mudança se soma a medidas específicas para melhorar as operações, como a otimização de rotas e frotas de trens e a redução do tempo de espera e de atracação das embarcações.
Na eletrificação, o estudo aponta uma trajetória de expansão dos veículos leves eletrificados, de menos de 1% da frota na base de referência para mais de 50% até 2050. Para o transporte de passageiros, a projeção inclui cerca de 300 mil ônibus elétricos em circulação naquele ano. Viabilizar essa transformação exige ampliar a infraestrutura de recarga, adequar a rede elétrica e tornar o custo de aquisição e operação dos veículos mais competitivo.
Os biocombustíveis também têm papel central, com perspectiva de expansão do consumo anual de cerca de 30 bilhões para 55 bilhões de litros até 2050. As prioridades abrangem o aumento do uso de etanol e de outros biocombustíveis no transporte rodoviário, sua adoção em operações ferroviárias e aquaviárias e a intensificação do uso de combustível sustentável de aviação produzido a partir de biomassa, o Bio-SAF.
Na aviação, a agenda também contempla melhorias na gestão operacional e nas trajetórias de pouso e decolagem. Na mobilidade urbana, inclui otimização de rotas, expansão do transporte coletivo sustentável e adoção de soluções com emissões veiculares próximas de zero.
Ao lado das transformações projetadas para 2050, a Coalizão prioriza medidas com potencial de gerar resultados no curto prazo, como renovação de frotas, redução do consumo de combustível e maior eficiência nas operações logísticas.
Cerca de 40 ações habilitadoras para viabilizar a implementação
A agenda identifica as condições técnicas, econômicas e de infraestrutura necessárias para que as soluções ganhem escala. Na eletrificação, isso inclui ampliar a oferta de veículos com custo total de propriedade competitivo, expandir a rede de recarga e realizar as adaptações necessárias na infraestrutura elétrica.
Para os biocombustíveis, os desafios incluem sinalizar demanda para estimular a ampliação da produção, melhorar a logística de distribuição e assegurar a compatibilidade dos combustíveis com os motores e suas diferentes aplicações.
A infraestrutura também ocupa lugar central: ampliar a capacidade e os acessos a portos e terminais, expandir a malha ferroviária e fortalecer a integração entre os modos são condições para a mudança da matriz de transportes.
Há ainda medidas voltadas à eficiência das operações, como estimular a retirada de veículos menos eficientes de circulação, reduzir o tempo de espera das embarcações e aprimorar os procedimentos de operação de trens e aeronaves. A mobilização de recursos e investimentos é uma condição comum ao avanço dessas frentes.
Monitoramento público para orientar a atuação conjunta
O acompanhamento será centralizado no Núcleo Intersetorial do Clima, com mais de 100 indicadores dedicados à agenda de transportes. A ferramenta permitirá acompanhar tanto o progresso das alavancas quanto o avanço dos habilitadores necessários à sua implementação, apoiando a identificação de entraves e a definição das prioridades de atuação conjunta.
Estima-se que o setor represente cerca de 11% das emissões brasileiras. Em um cenário sem alterações, as emissões anuais poderiam crescer 63%, passando de aproximadamente 260 milhões de toneladas de CO2 equivalente, em 2023, para 424 milhões em 2050. O conjunto das 90 alavancas mapeadas tem potencial para reduzir em cerca de 68% as emissões projetadas para aquele ano, sendo que três alavancas concentram a maior parte desse potencial: rebalanceamento da matriz de transporte, com maior participação dos modais ferroviário e hidroviário; ampliação do uso de biocombustíveis; e eletrificação de frotas em larga escala.
A Coalizão para a Descarbonização dos Transportes integra a Coalizão Brasil pela Transição Climática, coordenada pelo CEBDS, que mobilizou mais de 270 organizações em setores estratégicos da economia. Ao conectar prioridades setoriais, condições de implementação e indicadores de acompanhamento, a iniciativa busca contribuir para a redução de emissões e para ganhos de eficiência e competitividade no país.
“A descarbonização dos transportes não é apenas um desafio tecnológico ou energético. É, sobretudo, um desafio de planejamento, de políticas públicas e de transformação da maneira como movimentamos pessoas e mercadorias no Brasil. Não basta substituir combustíveis ou eletrificar frotas. A grande contribuição desta Coalizão é transformar esse entendimento em uma agenda concreta. O Brasil tem uma oportunidade extraordinária de fazer da descarbonização um instrumento de desenvolvimento econômico, melhoria da qualidade de vida e redução das desigualdades”, garante Sérgio Avelleda, coordenador do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper.
Fonte: CNT Foto: Divulgação
Missão: Fortalecer o setor de transporte de cargas rodoviário paranaense, representando os empresários independentemente do cenário – político, econômico ou social - que se apresente.
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