Mulheres na estrada

Mulheres na estrada

16 de setembro, 2019

Você sabia que apenas 0,5% dos profissionais que estão nas estradas brasileiras são mulheres? Esse número foi apontado na pesquisa “Perfil dos Caminhoneiros” de 2019, produzida anualmente pela Confederação Nacional de Transporte (CNT).

Há seis anos e meio na profissão, Silvia Richter, 33 anos, foi a primeira mulher motorista a ser contratada pela Transportadora Transprimo, em Ponta Grossa, região dos Campo Gerais.

Ao volante de uma Scania R 440, ela trafega, em média, cerca de 9 mil quilômetros por mês. Aos finais de semana Silvia consegue estar junto com o filho de 16 anos. Já durante a semana a saudade bate forte. “É difícil ficar longe, mas com a tecnologia facilita um pouco, matamos a saudade por ligações e chamada de vídeo por aplicativo”, conta Silvia.

Para ela, quando se ama a profissão escolhida, as dificuldades ficam para trás. “Meu sonho sempre foi ser motorista de caminhão.

Observava a estrada e sonhava em pegar um caminhão para trabalhar, mas na época não tinha idade para tirar carteira. Quando completei 24 anos comecei a fazer os testes para a categoria; só não fiz antes por falta de condições”, lembra a motorista.

Hoje, realizada com a profissão, Silvia não se vê desempenhando outra atividade e incentiva outras mulheres a correrem atrás de seus sonhos.

“Muitos ainda têm preconceito, acham que nós mulheres não damos conta, que a profissão exige força. Mas muito pelo contrário, como em qualquer outra profissão com dedicação conseguimos mostrar nosso potencial e conquistar o respeito de todos”, avalia Silvia.

‘Mundo masculino’

Também colaboradora da Transportadora Transprimo, a analista em Recursos Humanos, Michele Santana Mira, 35, também faz um balanço positivo em trabalhar no setor do transporte rodoviário de cargas. “O aprendizado no ‘mundo masculino’ é diário, e o que mais acaba pesando no dia a dia é o tratamento. Infelizmente, há ainda muito machismo. Muitos ainda nos subestimam”, conta Michele.

De acordo com ela, de um total de 214 funcionários, apenas 13 são mulheres, nove trabalham no administrativo e quatro são motoristas.

“Uma diferença expressiva. No setor administrativo é comum a presença feminina, já na estrada tem que ter muito amor à profissão, porque as dificuldades são grandes. Não é fácil ficar longe da família e correr os riscos da estrada diariamente”, avalia Michele.

Perigos esses que a caminhoneira Edina Salete Cordeiro, 46, da empresa Meztra, acompanha na estrada. “Bem recente, um companheiro de outra transportadora, que estava a caminho de Guaíra, foi assaltado, amarram ele no mato. É um perigo constante que corremos, tenho muito medo”, comenta Edina.

Se não bastasse, Edina também conta que o preconceito, muitas vezes, parte até mesmo das próprias mulheres. “Já aconteceu de não me cederem o banheiro no posto. Cheguei, pedi a chave e deram a desculpa que estava estragado. Fiquei um pouco mais na conveniência, quando uma outra mulher ‘bem arrumada’ fez o mesmo pedido e deram a chave a ela. Uma situação bem constrangedora; é bem como meu pai sempre falou: – ‘vida de caminhoneiro é sofrida, mas não tem prazer maior’, como sou feliz na estrada”, declara a motorista.
Mas superadas as dificuldades de ficar longe da família e amigos, e ainda os perigos da estrada, o resultado delas também é expressivo, segundo a analista em RH da Transprimo. No quesito segurança elas se destacam, dirigem com cuidado e atenção, que podem ser vistos em números. Nos últimos 6 meses, foram registrados apenas um sinistro e duas multas.

“Acredito que todos nós estamos sujeitos a acidentes e incidentes, independentemente se homem ou mulher. Porém, nós mulheres temos muito mais cuidamos para evitarmos multas e acidentes”, comenta a motorista Silvia.

Nos sindicatos, elas também estão presentes e são vistas como exemplo para outras mulheres que desejam ingressar no segmento. A diretora financeira Rosana Machiavelli há 18 anos atua no Setcepar e há 27 anos é diretora na empresa Transvelli.

Para ela, a presença feminina torna o ambiente de trabalho mais acolhedor. “O setor do transporte é totalmente comandado por homens, por mais que ainda sejam poucas as mulheres, elas trazem consigo um lado mais ponderado, intuitivo e compreensivo em relação ao que se propõe a fazer”, avalia Rosana, que dá a dica: “mulheres: acreditem em vocês, sejam ousadas, lutem pelos seus sonhos, tenham fé e não percam o foco porque os desafios são gigantes e precisamos ter conhecimento, competência, humildade e garra. Só assim conquistaremos o nosso espaço”.

Atuante na COMJOVEM Curitiba, Amanda Peres Nery, 26, também incentiva a presença feminina no segmento do transporte. “A presença masculina ainda predomina no TRC, mas nós estamos conquistando nosso espaço, diariamente, mostrando que somos capazes e possuímos conhecimento e habilidades técnicas para isso. Acredito que o setor tem muito a ganhar com a nossa presença, pois para garantirmos nosso lugar estamos em constante busca pelo aperfeiçoamento”, declara Amanda.

Para ela, a COMJOVEM mesmo vem mostrando a cada dia que não existem limites para as mulheres nesse setor. A começar pelo cargo de coordenação da COMJOVEM Nacional que é ocupado por uma mulher. “Hoje, há mulheres inseridas em diversos núcleos e é por meio do nosso trabalho e dedicação que tentamos aproximá-las do TRC, mostrando que podemos ocupar o cargo que quisermos e que temos espaço e pessoas nos apoiando nisso”, ressalta Amanda.

Fonte: Assessoria FETRANSPAR

 

 

 

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