Como é a vida dos caminhoneiros que abastecem o porto e o que deve mudar em breve

Como é a vida dos caminhoneiros que abastecem o porto e o que deve mudar em breve

29 de março, 2021

A chegada e saída de caminhões em Paranaguá, que já foi bem caótica no passado, está passando por ajustes para melhorar a situação de profissionais e moradores – e deve ficar ainda mais adequada, a partir de uma série de obras em fase de planejamento ou execução. Iniciativas do poder público, de entidades e também de empresas privadas devem representar mais pontos de parada e serviços de apoio, além de aperfeiçoamento das vias, com duplicações, viadutos e investimento nas condições do asfalto.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, destaca que a situação de hoje nem de longe lembra o cenário de dificuldades, com as filas de caminhões esperando para descarregar em Paranaguá, que eram bem mais comuns em décadas passadas. Contudo, embora reconheça as melhorias, ele cita que a totalidade dos problemas ainda não foi resolvida. Para o dirigente, a pior das pendências ainda é a falta de estrutura para acomodar as necessidades dos caminhoneiros que estão fora do pátio de triagem.

Melhorias em andamento

A empresa pública Portos do Paraná já realizou algumas obras que impactaram diretamente no cotidiano dos caminhoneiros, como a construção do viaduto no entroncamento com a BR-277 (investimento de R$ 12,7 milhões) e a recuperação da Avenida Bento Rocha, com a colocação de concreto no pavimento (R$ 15,9 milhões).

Também estão previstas melhorias no pátio de triagem. O diretor de Operações Portuárias, Luiz Teixeira Júnior, conta que está em fase de licenciamento a expansão, que deve alterar a capacidade estática de 900 para 1500 caminhões.

Teixeira lembra que o pátio de triagem é um regulador de fluxo, que possui como objetivo diminuir as complicações para os profissionais do volante, para o porto e também para a cidade. Para ele, o principal problema é quando o agendamento não é respeitado – ou o motorista chega a Paranaguá muito antes ou até sem horário marcado. O diretor acrescenta que, enquanto não forem construídas mais áreas de apoio, o investimento será em gestão, para diminuir os impactos urbanos pela circulação diária de cerca de 2300 caminhões, durante os picos de safra. “Ainda não está ideal”, admite, destacando os problemas de trânsito no trecho entre o pátio de triagem e os terminais.

Saída é um problema

O consultor de Logística da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, aponta que as melhorias na chegada a Paranaguá tornaram o tráfego e a presença dos caminhoneiros menos conturbados e destaca que, no momento, o olhar deve se voltar para a fase de retorno, depois da descarga.

“O principal gargalo é a saída pela Avenida Ayrton Senna”, resume. Se não tiver frete de retorno já combinado, motoristas ficam procurando cargas para levar e ocupam os espaços públicos enquanto aguardam o desfecho. “Quem consegue lugar fica em postos de combustíveis, mas alguns estacionam na rua”, relata. É ainda pior quando acontece no afunilamento da Ayrton Senna, quando passa de duas pistas para uma.

João Arthur Mohr destaca o trabalho que tem sido feito com embarcadores de fertilizantes, para que criem seus respectivos pátios de estacionamento. Ele defende que cada empresa tenha o seu local adequado, para receber os caminhoneiros e organizar os fretes de retorno. “Não dá para ficar dependendo dos postos de combustíveis”, salienta o consultor.

Fonte e Foto: JB Litoral

 

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