SEST SENAT - Saiba como sua alimentação impacta o seu dia a dia

SEST SENAT - Saiba como sua alimentação impacta o seu dia a dia

02 de abril, 2018

A alimentação pode ser porta de entrada para uma série de doenças ou meio de se evitar problemas de saúde. Tudo é uma questão das escolhas que fazemos em cada refeição.

Quem faz o alerta é a nutricionista do SEST SENAT Nathália Bueloni. Ela reforça que, apesar de algumas doenças já serem associadas à comida pela maioria das pessoas (como a hipertensão, por exemplo), os alimentos causam impactos que muita gente ainda desconhece. As refeições podem estar relacionadas, por exemplo, à depressão, à disposição para tarefas cotidianas, à capacidade de concentração e, até mesmo, à segurança no trânsito.

Nathália também alerta que é importante não se deixar enganar por rótulos que passam a ideia de que o alimento é mais saudável, pois nem sempre o que se divulga está totalmente de acordo com o que o produto pode fazer pela saúde.

Saiba mais na entrevista:

Como nós, brasileiros, estamos nos alimentando?
O brasileiro tem ficado cada vez mais obeso, mais doente e se alimentado cada vez pior. Em dez anos, saímos de um quadro de desnutrição para um quadro de mais de 50% da população com excesso de peso. Investe-se em alimentos prontos, muitas coisas de prateleiras, muitos fast foods. As pessoas geralmente não se dedicam a uma alimentação saudável.

A alimentação está diretamente relacionada ao desenvolvimento de algumas doenças, como a hipertensão, sobre as quais a maioria das pessoas tem consciência. Mas há outros problemas agravados por conta do que comemos e que não costumamos associar à nossa alimentação?

Já existe uma base grande de estudos comprovando que a má alimentação é uma porta para a maioria dos cânceres, pois quanto pior o alimento maior será a resposta inflamatória no seu corpo. A depressão é outro problema que tem sido agravado, porque, quando você não se alimenta corretamente, seu organismo não absorve nutrientes essenciais para o seu metabolismo funcionar corretamente. Por exemplo, você deixa de absorver vitamina B6, que é muito importante num quadro de depressão; você não estimula seu intestino a trabalhar corretamente, então o cérebro não recebe a mensagem para liberar os hormônios certos tanto de saciedade como de bem-estar. Tudo está interligado. O consumo de açúcar, frituras e carboidratos está muito grande, e isso também afeta sua capacidade de concentração e de aprendizado, assim, seu raciocínio fica mais lento.

Você pode explicar a diferença entre os alimentos in natura e os alimentos processados?
Alimentos in natura são aqueles que você obtém diretamente da de plantas ou animais, ou seja, não passam por nenhum processo industrial.
Alimentos minimamente processados são aqueles que passam por alguma alteração, mas é algo pequeno. Eles podem ter sido moídos, como o grão de café, ou ter passado por uma secagem.
Os processados têm adição de alguns produtos, como açúcar ou sal. Esse, também, é o caso dos alimentos em conserva, do queijo, do pão. São alimentos transformados para ficarem mais agradáveis ao paladar.
Os ultraprocessados passam por várias etapas de produção, com adição de diversos ingredientes, que você não consegue produzir em casa. É o caso do macarrão instantâneo, dos refrigerantes, do biscoito recheado, dos salgadinhos.

Por que alimentos processados e ultraprocessados são piores?
Quanto maior a intervenção da indústria em alimentos e quanto maior a vida útil deles nas prateleiras, menos benefícios terão para a saúde. Quanto mais o alimento se parecer com comida de verdade e quando houver menos rótulos e mais casca, será melhor para a saúde. Tudo o que a gente come e bebe tem a metabolização no fígado e, depois, é absorvido no intestino. Ali é que a gente vai perceber a falta de nutrientes. Quanto mais processado for o alimento, menos nutrientes ele vai ter para oferecer. Por exemplo, o arroz integral é melhor que o branco porque não foi tão processado e tem mais fibras, que são importantes para o funcionamento do intestino. O açúcar mascavo não foi tão processado quanto o refinado, então tem mais vitaminas.  Além disso, o nosso corpo tem que liberar muito ácido para digerir alimentos mais processados. Isso aumenta a chance de termos gastrite, refluxo, porque o corpo tem que trabalhar muito mais para digerir todos os aditivos químicos.

Para o trabalhador do transporte, alimentação também é uma questão de segurança no trânsito?
Totalmente. Os motoristas precisam ter uma boa alimentação para que não tenham episódios de letargia (o que pode fazer com que durmam ao volante) e, também, para que não fiquem hipertensos ou obesos. Muitos motoristas têm uma circunferência abdominal muito grande, e isso pode gerar mal súbito, infarto. Além disso, cuidar da alimentação ajuda a reduzir o absenteísmo, ou seja, as ausências ao trabalho porque, quando não há uma alimentação saudável, as pessoas precisam ir mais frequentemente ao médico.

Os rótulos dos produtos nos dão informações que nem sempre são tão fiéis à composição dos alimentos. Por exemplo, rico em fibras, em vitaminas. Como não podemos nos deixar enganar com os rótulos?
O rótulo é a comunicação entre o produto e o consumidor. Ao comprar um alimento, pegue o rótulo e olhe os ingredientes. O primeiro que aparece é o que mais estará presente naquele alimento. Por exemplo, se você pegar um achocolatado, verá que o primeiro ingrediente é açúcar – é o que mais tem. Além disso, quanto maior for a lista de ingredientes, menos benefícios o alimento terá. Outra coisa é que devemos compreender alguns termos. Um produto diet não quer dizer que é mais saudável, quer dizer que ele foi feito para diabéticos, ou seja, é sem açúcar, mas ele tem adoçante, o que normalmente aumenta o teor de sódio. Produtos light geralmente têm redução de alguma substância, que pode ser açúcar, sódio ou alguma outra coisa. Quando o rótulo diz que certo produto não tem glúten ou lactose, não quer dizer que ele foi feito para quem quer emagrecer, mas sim para pessoas alérgicas.

O SEST SENAT oferece assistência nutricional gratuita para trabalhadores do transporte e seus dependentes. Por que é importante buscar esse atendimento?
É importante estarmos conscientes de que, quando abrimos a boca para ingerir um alimento, ou abrimos a porta para uma doença entrar ou evitamos que uma doença se instale no nosso organismo. Nos nossos atendimentos, conseguimos obter excelentes resultados. Trabalhadores do transporte têm reduzido o consumo de medicamentos, e as empresas relatam redução nas ausências por problemas de saúde. Mas o principal resultado é a melhoria da qualidade de vida. A nutrição não é só barriga sarada. A nutrição é saúde, é cuidar de dentro para fora.

SEST SENAT 25 anos

Em 2018, o SEST SENAT completa 25 anos. A instituição tem como missão promover a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento profissional dos trabalhadores do setor de transporte e dos seus dependentes, com responsabilidade socioambiental.

Durante esse período, mais de 118 milhões de atendimentos já foram realizados por meio de cursos, palestras, assistências na área de saúde, atividades de esporte, cultura e lazer, entre outras. O SEST SENAT conta com Unidades Operacionais localizadas em todas as regiões do Brasil e, desde 2017, trabalha na expansão de sua rede. Até 2019, serão mais de 200 Unidades em funcionamento no país.

Todas oferecem os serviços gratuitamente aos trabalhadores do transporte e aos seus dependentes. Para ter acesso à gratuidade, é preciso que o trabalhador autônomo ou a empresa onde os profissionais trabalham contribua para o SEST SENAT.

Fonte e Foto: SEST SENAT

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