FOLHA DE S. PAULO - PIB de 2018 é visto com otimismo moderado

FOLHA DE S. PAULO - PIB de 2018 é visto com otimismo moderado

29 de setembro, 2017

Economistas e analistas de mercado estão cautelosamente otimistas com a economia, o que se reflete nas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano.

As estimativas de analistas reunidas pelo Banco Central para 2018 cresceram pela terceira semana consecutiva, mas ainda podem ser consideradas comedidas, em 2,3%.

A avaliação geral é que a recuperação econômica está em curso e deve ter continuidade, mas a falta de fôlego do mercado de trabalho, além de incertezas que devem preceder a sucessão presidencial de 2018, ainda não autoriza números mais fortes.

"O otimismo existe, mas falar em alta de 4% para o PIB do ano que vem parece um sonho", diz Marco Casarin, economista-chefe para América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics.

As previsões para este ano estão melhores, diz, muito influenciadas por preços em níveis historicamente baixos –as expectativas para inflação estão abaixo de 3% pela primeira vez no ano– e os efeitos positivos disso sobre a renda dos consumidores.

A economia também se beneficia do cenário externo bastante favorável aos emergentes, com dólar sob controle e commodities em alta.

Os próximos trimestres, no entanto, podem enfrentar mais turbulências. Os preços das commodities devem se estabilizar, e o dólar, que caiu 8% em relação a uma cesta de moedas desde junho, não deve depreciar o mesmo tanto daqui para frente.

Casarin diz ainda que o crescimento do PIB entre 3,5% e 4% em 2018 exigiria que o consumo repetisse o desempenho do segundo trimestre, quando cresceu 5% em termos anualizados.

"Fora que nada me faz pensar que, diante de uma eleição tão incerta, vai ter investimento crescendo a dois dígitos", diz o economista.

João Pedro Ribeiro, economista do banco Nomura, em Nova York, diz que o termo otimismo "requer contexto".

Ele prevê alta de 2% para o PIB de 2018 e diz que o viés é de alta, ao se levar em conta os últimos sinais do Banco Central sugerindo juros baixos pelo menos até 2020.

Para Ribeiro, o país de fato entrou em trajetória de crescimento mais sólida, mas alguns entraves se mantêm, como a lenta recuperação do mercado de trabalho.

Rodolfo Margato, do Santander, espera alta de 2,5% para o PIB de 2018 e diz que uma expansão acima disso dependeria do comportamento do investimento.

Para ele, o pacote de concessões em infraestrutura e os cortes mais agressivos do juro são pontos positivos, mas a fragilidade da construção civil e o nível de utilização da capacidade instalada das empresas, hoje bem abaixo da média, desautorizam um avanço mais forte dos investimentos na economia.

O Itaú começou o ano com alta de 4% para o PIB de 2018, revisou o número após o cenário político ter colocado em xeque o avanço das reformas e acha difícil voltar atrás.

A expectativa hoje é de alta de 2,7%. Artur Passos, economista do banco, diz que as concessões são elemento importante para a retomada da atividade, mas seria preciso que envolvessem desembolsos efetivos já no próximo ano, o que ainda é incerto.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, lembrado como um dos economistas mais otimistas para 2018, diz que a previsão é mesmo de crescimento mais forte, mas uma alta de 4% será vista apenas no último trimestre de 2018.

Fonte: Folha de S. Paulo Foto: Filipi Frazão

 

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