Novos horizontes do transporte e da logística sustentável

11 de setembro, 2026

Projeto-piloto Microcorredores Sustentáveis, desenvolvido pela Fetranspar em Toledo (PR) é destaque de série de reportagem da Revista CNT Transporte Atual

A série “Boas Práticas” segue revelando iniciativas que ampliam o impacto da transição energética no setor. Após destacar soluções pioneiras em combustíveis renováveis, finanças sustentáveis e conservação em larga escala, avançamos agora para experiências que destacam o potencial transformador da logística verde sobre os territórios e a mobilidade. Nesta edição, três cases ilustram como a agenda climática se materializa em inclusão social, fortalecimento regional e inovação tecnológica. Da capacitação de jovens em comunidades portuárias à estruturação de corredores logísticos de baixo carbono, passando pelo desenvolvimento de sistemas elétricos de mobilidade urbana, os exemplos reforçam que a descarbonização é um movimento integrado, que conecta pessoas, comunidades e inovação.

Logística movida a biometano

O projeto-piloto Microcorredores Sustentáveis, desenvolvido pela Fetranspar em Toledo (PR), sinaliza um avanço na transição energética do transporte regional de cargas. A iniciativa envolve cerca de 70 caminhões, principalmente no transporte de ração, e propõe o uso do biometano como alternativa ao diesel, a partir do aproveitamento de resíduos agropecuários. Segundo o assessor da entidade, Marlon Maues, o projeto começou com um esforço de conscientização dos transportadores, ainda pouco familiarizados com alternativas energéticas. Esse cenário começou a mudar com a alta do diesel, influenciada por fatores externos.

“Nós iniciamos com uma conscientização, porque os transportadores ainda não têm tanto conhecimento para fazer essa transição energética”, explica. Embora a mensuração das emissões ainda esteja em consolidação, os ganhos operacionais já são perceptíveis. Maues destaca que o custo do biometano é significativamente inferior ao do diesel, o que tem levado transportadores a reavaliar suas operações. Outro efeito observado está na relação com o setor produtivo. Resíduos da suinocultura, da avicultura e da produção leiteira passam a ser vistos como insumo energético. Esses materiais podem ser transformados em biogás e, posteriormente, em biometano. “É uma simbiose.

A logística auxilia a agropecuária e a agropecuária ajuda a logística”, resume. Na região de Toledo, a dinâmica local favorece o modelo. Segundo o empresário e presidente do Sintratol (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Toledo), Celso Antonio Rosa Junior, as rotas curtas permitem novas possibilidades de abastecimento. “Quando o caminhão passa em frente à propriedade, já pode abastecer”, destaca.

Além disso, o uso energético dos resíduos contribui para resolver um desafio importante dos produtores: a destinação adequada dos dejetos, que impacta diretamente licenças ambientais e a capacidade de expansão da produção. Apesar dos avanços, o projeto ainda exige cuidados. A produção de biometano é limitada, o que impede uma transição rápida da frota. Por isso, o processo tem sido conduzido de forma gradual, com necessidade de estudos técnicos, financiamento e maior articulação institucional. Como resume Rosa Junior, “é um momento de estudo e transição, mas é preciso cautela”.

Fonte – Texto e foto  -  Fabiana A. Vieira (CNT Transporte Atual)